Sem trevas não pode haver luz
Essa sentença não
expressa apenas uma inspiração artística, embora a arte também seja um
instrumento para tentar alcançar o divino, mas apresenta uma questão
fundamental para o conhecimento, o entendimento de tudo o que existe. Parece
exagero, mas é uma teoria respeitada pelas mais diversas filosofias, desde os
primórdios.
O som do universo
Na Grécia antiga,
Pitágoras se concentrava na música das esferas, segundo ele, produzida pela
harmonia divina e matemática entre o macrocosmo e microcosmo. Conforme essa
teoria, há tal harmonia na mecânica celeste que o universo ecoa uma única nota
em sua sublime sinfonia.
Porém, o homem não
consegue ouvir essa música, porque tem percepção limitada. Teorias afirmam que
não é possível descrever e nomear o desconhecido; alguns acreditam que nem
conseguimos enxergar ou perceber a presença daquilo que a humanidade atual não
pode compreender. Em sua realidade, o homem não consegue alcançar o “Todo”, o
“Onipotente”, compreender concretamente o que sejam “311 trilhões de anos” ou
até mesmo visualizar “10.000 coisas”.
Somos feitos de silêncio e som
Para auxiliar no
entendimento das manifestações do mundo, a humanidade necessita de comparação.
As diferenças facilitam apreender as informações, principalmente quando se
trata de opostos, pois possibilitam a experenciação mais nítida no mundo
material. Só é possível entender o “frio” se conhecemos o “quente”, o “feio” em
comparação ao “belo”, o “alto” em comparação com o “baixo” e enfim, o que mais
há.Conforme teorias
filosóficas das mais antigas, como o Hermetismo e o Taoísmo, tudo o que existe
no universo é dual, têm dois polos: um positivo e um negativo, ou masculino e
feminino, claro e escuro. Os orientais nomeiam estas energias de Yin e Yang,
duas forças opostas e complementares. Um polo não existe sem o outro.
Essas polaridades
permitem ao homem, além de compreender, também criar, manifestar e se colocar
no mundo. Conhecer a si e o outro. Segundo o Hermetismo, os opostos não
representam coisas diferentes, mas apenas extremos da mesma coisa. Por exemplo,
o claro e o escuro são manifestações da luz, assim como o amor e o ódio são
diferentes graus de um sentimento.
Yin - Yang
Entretanto, é
importante ressaltar que nada é totalmente um polo ou outro, há um
balanceamento dos gêneros, tudo tem um componente masculino e um feminino, de
acordo com o mesmo Hermetismo, em sua lei do gênero. Também é o que relata o
taoísmo que afirma que existe um pequeno Yin dentro de Yang e vice-versa.
Assim, o homem consegue apreender e participar do mundo em que vive percebendo essa dualidade. Sem opostos não há entendimento. Só percebemos que está escuro porque conhecemos a claridade.
Certas coisas
Isso posto, apenas a
existência da escuridão permite a luz, sendo as trevas a ausência da luz. Por
outro lado, a luz é a ausência das trevas. Isso também se reflete no
conhecimento, sendo esse a luz que ilumina as trevas da ignorância. É dessa
forma simplória que o homem também tenta entender certas coisas, de forma limitada o “Todo”, o
“Uno”, já que não tem a capacidade de ouvir a música das esferas.
Voltando à canção
citada no início, depois dessa reflexão é possível confirmar que a arte imita a
vida e tenta chegar ao divino, hoje, assim como no princípio da comunicação
humana.
Texto de Andréia Hott



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